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Quarta-feira, Novembro 04, 2009


Acorrentada pela Razão

É inacreditável que a garrafa não tenha secado
Após tanto tempo minha consciência paira
E num surto de solidão, ela vaga
Margeando o abismo sem fim.

E o que era extinto, se acende
Da ponta do fósforo a queimada inconseqüente
Meu coração rasgou-se em saudade doente
Versos de amor em lembranças que tornaram a mente latente.

E a dor tão bem sepultada brotou duma só vez
Quase explodiu a alma que a carregava ao incendiar
Não havia desejo, apenas um amor louco querendo concretizar
Um destino perdido no tempo, que se deixara caminhar.

As lágrimas surgiram, mas não caíram.
Sabiam que, este rosto, não poderiam lavar.
Mas o gole do vinho ergueu um tormento
Que a frágil alma pensava não mais carregar.

E o que antes era dor amortecida pelo tempo
Ergueu as assas e alçou vôo sobre o mar
Atravessou a lufada do vento cheia de coragem
Que a realidade tratou de esvair e sufocar.

Antes que avistasse a procurada paisagem
A ave saudosa foi capturada pela razão
E com garras de ferro e mágoa desmedida
Novamente acorrentada ao fundo do coração.

03/11/09.
 
posted by Kitana at Quarta-feira, Novembro 04, 2009
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Sábado, Outubro 10, 2009


Meu Amigão

O creme das paredes se pinta de solidão
A sala está vazia,
Nenhuma patinha pelo chão
Lá se vai a alegria do meu coração.

Onde está a vasilha d’água derramada
E as trilhas de ração?
Guia de coleira no canto da sala
Ai que saudade do meu amigão!

Meu filhote está envelhecendo
Primeiro rompe um ligamento
Agora um sopro no coração
Nem posso visitá-lo por VET-orientação.

Chega logo terça-feira!
Liberta-me dessa agonia
Que repouso mais demorado
Sua alta marca o inicio da minha alegria!

Kitana, 10/10/09.
 
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Sábado, Setembro 26, 2009

ps: Foto de Marcelo Vieira em: http://www.flickr.com/photos/marcelovieira/3311671581/

Velejar

Sem adjetivos,
Como caracterizar?
Como irei poetizar o marulho do mar?
Se sequer posso qualificar,
A causa que gera o sentido
Neste coração que volta a pulsar.
É paixão que borbulha na areia
E faz meu barco navegar!

26/09/09.

Em resposta ao desafio de Sílvia Mota
Poeta, escreva-me sobre o marulho do mar, sem nenhum adjetivo.
Beijossssssssssssssss
Sílvia Mota.
Cabo Frio, 25 de setembro de 2009 - 10:34hs.
 
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Segunda-feira, Setembro 21, 2009


Entristecer


O anoitecer sopra suave
Uma brisa fria
Sussurra que o sol se pôs
Que findou mais um dia.

A Terra se move
A coruja pia
As ondas, na areia, morrem
A lua, no céu, vigia.

Vigia a inquietude do meu ser
A alma que escorre dos dedos
Junto com sonhos e ilusão
Com as batidas do meu coração.

São visitas de tristeza
Por vezes lágrimas e melancolia
No espelho vai sumindo a beleza
Que carregava o sorriso e a alegria.

O anoitecer ainda sopra suave
Sua brisa fria
Embala meus sonhos em sua passagem
As lágrimas sempre secam ao raiar do dia!

Kitana.
 
posted by Kitana at Segunda-feira, Setembro 21, 2009
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Domingo, Agosto 30, 2009


Vento no Vácuo

De olhos fechados,
Com os pés descalços
Dou um passo contra o vazio
Vítreo do teu olhar.

Rubro, mas sombrio
Suave, tal qual o vinho
Que escorre da boca ao queixo
Pensas meu sangue, despertar.

Tal qual brilho de luar
Sonhas em me ter, nua
Tal espelho que plana
Sobre as águas do mar

Mas, de repente, em chamas
Teu corpo cai à cama
Em busca do meu
Que não se reconhece teu.

Então se descobre sozinho
Numa noite sem apogeu
Pois minh’alma não tem senhor
Há silêncio no espaço,
Não há vento... no vácuo!

Kitana, 27/08/09.
 
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