Acorrentada pela Razão
É inacreditável que a garrafa não tenha secado
Após tanto tempo minha consciência paira
E num surto de solidão, ela vaga
Margeando o abismo sem fim.
E o que era extinto, se acende
Da ponta do fósforo a queimada inconseqüente
Meu coração rasgou-se em saudade doente
Versos de amor em lembranças que tornaram a mente latente.
E a dor tão bem sepultada brotou duma só vez
Quase explodiu a alma que a carregava ao incendiar
Não havia desejo, apenas um amor louco querendo concretizar
Um destino perdido no tempo, que se deixara caminhar.
As lágrimas surgiram, mas não caíram.
Sabiam que, este rosto, não poderiam lavar.
Mas o gole do vinho ergueu um tormento
Que a frágil alma pensava não mais carregar.
E o que antes era dor amortecida pelo tempo
Ergueu as assas e alçou vôo sobre o mar
Atravessou a lufada do vento cheia de coragem
Que a realidade tratou de esvair e sufocar.
Antes que avistasse a procurada paisagem
A ave saudosa foi capturada pela razão
E com garras de ferro e mágoa desmedida
Novamente acorrentada ao fundo do coração.
03/11/09.



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